Data: 17/02/24


                      FÉRIDA

 

      Eu comecei a me questionar se em algum momento essa dor irá sumir, fico me perguntando como é possível meu corpo inteiro doer assim, a sensação de vazio insiste em não me abandonar, a cada segundo que passa sinto meu coração disparar. sinto que voltei para aquele lugar, que eu lutei tanto para me libertar. E quando os meus olhos se fecham, posso me ver, jogada em um canto, escuro e vazio, olho ao redor e as paredes estão próximas, olho para cima e posso ver a luz da lua bem distante, quase que inalcançável, meus pensamentos não estão claros e essa dor me apavora. Sim! Eu estou de volta ao buraco que tanto temi, e não me vejo saindo daqui.

      Como posso estar assim? sinto que estou me perdendo, como se algo me puxasse para dentro de mim, vejo uma sombra acorrentando-me, puxando-me para cada vez mais fundo

 e quanto mais eu luto para me libertar menos consigo me achar, estou começando a me desesperar! os meus sentimentos irão me afogar! 

sim! Eu estou perdida, não consigo encontrar a saída dessa escuridão. me sinto exausta por tentar, eu já cansei de gritar e ninguém me escutar, depois de tanto tempo já me falta o ar, qual é o sentido dessa merda de vida? Como posso cogitar continuar travando essa batalha, estando tão ferida? está doendo tanto que eu só quero desistir, quando olho para os lados vejo que não tem ninguém por mim. 

      Vivo me perguntando quanto tempo falta para isso me consumir, eu já não quero mais estar aqui, não consigo mais resistir. já se esgotaram todas as forças que haviam  em mim, porque eu simplesmente não paro de existir? 

seria tão fácil assim, simplesmente não sentir! 

   Será que alguém iria sentir, se acordasse e eu não estivesse mais aqui? 

Quando me pego fazendo uma análise de mim, percebo que eu sou o princípio do fim, como se todos os problemas corressem para mim, eu sou uma bomba relógio que em algum momento irá explodir, e o detonador esta bem aqui em minhas mãos, e os meus dedos ficam ao alcance do botão que é sensível a qualquer toque, e a luta para não apertar-lo é travada todos os dias assim que o sol nasce, e quando chega a noite fria, com ela vem o sinal de mais um dia de vitória.

   Quantos dias mais eu vou aguentar? 

   Quantos dias mais eu vou chorar?

   Será que amanhã vou conseguir me levantar? 

   Será que tem alguém aí em cima para me escutar? 

 Eu continuo aqui, e nesse momento chamando por ti, será que podes me ouvir? Será que olhas para mim? Pode me dar forças para não desistir? 

Eu preciso de ti! 

Esse  mar irá me engolir! 

Será que eu vou morrer aqui? 


Cassiane Almeida 


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Dependência Emocional

Céu azul parte 2